Robert Oppenheimer é frequentemente colocado ao lado de Albert Einstein como o físico mais famoso do século 20.

Ele será para sempre o “pai da bomba atômica” depois que a primeira arma nuclear foi testada com sucesso em 16 de julho de 1945, no deserto do Novo México, nos Estados Unidos. O evento trouxe a sua mente palavras de uma escritura hindu: “Agora eu me tornei a Morte, a destruidora de mundos”.

Quem foi Robert Oppenheimer?

Nascido em 1904, em uma família rica de Nova York, Oppenheimer se formou em Harvard com especialização em química em 1925.

Dois anos depois, concluiu seu doutorado em física em uma das principais instituições de física teórica do mundo, a Universidade de Göttingen, na Alemanha. Ele tinha 23 anos e era apaixonado a ponto de endoidar os outros.

Robert Oppenheimer em 1944 — Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

Ao longo de sua vida, Oppenheimer seria julgado como um prodígio indiferente ou um narcisista ansioso. Independentemente de suas contradições como indivíduo, suas excentricidades não limitaram suas realizações científicas.

Antes da eclosão da Segunda Guerra Mundial, Oppenheimer trabalhou na Universidade da Califórnia em Berkeley, e no Instituto de Tecnologia da Califórnia. Sua pesquisa concentrou-se em astronomia teórica, física nuclear e teoria quântica de campos.

Embora confessasse não ter interesse em política, Oppenheimer apoiava abertamente ideias socialmente progressistas. Ele estava preocupado com o surgimento do antissemitismo e do fascismo. Sua companheira, Kitty Puening, era uma radical de esquerda e seu círculo social incluía membros e ativistas do Partido Comunista. Mais tarde, essas associações o marcariam como simpatizante do comunismo.

Como pesquisador, Oppenheimer publicou e supervisionou uma nova geração de estudantes de doutorado. Um deles foi Willis Lamb, que em 1955 recebeu o Prêmio Nobel de Física. O Prêmio Nobel escapou de Oppenheimer três vezes.

Robert Oppenheimer é frequentemente colocado ao lado de Albert Einstein como o físico mais famoso do século 20 — Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

Dois anos depois que a Alemanha e a Rússia soviética atacaram a Polônia, os Estados Unidos entraram na Segunda Guerra Mundial. Oppenheimer foi recrutado para trabalhar no infame Projeto Manhattan. Suas ideias sobre a reação em cadeia em uma bomba atômica ganharam reconhecimento entre a comunidade de defesa dos EUA. Ele começou seu trabalho montando uma equipe de especialistas. Alguns dos quais eram seus alunos.

Em 1943, apesar de suas opiniões políticas de esquerda, da falta de uma carreira de destaque e da falta de experiência no gerenciamento de projetos complexos, Oppenheimer foi nomeado diretor do Laboratório Nacional de Los Alamos, no Novo México. Ele estava entusiasmado. Parecia ter “reservas de força descompromissada”, lembrou o físico Isidor Isaac Rabi. Sua tarefa era desenvolver armas atômicas.

O Laboratório de Los Alamos expandiu-se rapidamente à medida que o projeto crescia em complexidade, com mais de 6 mil funcionários. Sua capacidade de dominar a força de trabalho em larga escala e canalizar sua energia para as necessidades do projeto lhe rendeu respeito.

O físico provou ser mais do que apenas um administrador ao se envolver na equipe interdisciplinar em todos os estágios teóricos e experimentais do desenvolvimento de armas.

Em 16 de julho de 1945, foi realizado o teste nuclear com o nome de código Trinity. A primeira bomba atômica foi detonada com sucesso às 5h29 no deserto de Jornada del Muerto. Como seu assistente-chefe, Thomas Farrell, relatou:

Houve uma tremenda explosão de luz, seguida logo depois pelo rugido profundo da explosão.

Mais tarde, Oppenheimer lembrou que “algumas pessoas riram, outras choraram, mas a maioria ficou em silêncio”. O que ele sabia com certeza era que o mundo não seria o mesmo.

Era tarde demais para as bombas atômicas serem usadas contra a Alemanha na guerra — os nazistas haviam capitulado em 8 de maio. Em vez disso, o presidente dos EUA, Harry Truman, decidiu usar a bomba contra o aliado da Alemanha, o Japão.

Logo depois que as bombas atômicas foram lançadas nas cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, em agosto de 1945, Oppenheimer confrontou o secretário de guerra dos Estados Unidos, Henry Stimson, exigindo que as armas nucleares fossem banidas.

Da mesma forma, ao falar com Truman, Oppenheimer falou sobre a sensação de ter sangue nas mãos. Truman rejeitou a explosão emocional de Oppenheimer. A responsabilidade pelo uso das bombas atômicas, afinal, era do comandante-chefe (ele mesmo).

A refutação de Truman não impediu Oppenheimer de defender o estabelecimento de controles na corrida armamentista nuclear.

Nos anos pós-guerra, Oppenheimer se estabeleceu em Princeton, Nova Jersey, no Instituto Para Estudos Avançados. Ele lia muito, colecionava arte, móveis e aprendeu idiomas. Seu cargo, bem remunerado, permitiu que ele buscasse uma compreensão mais profunda da humanidade por meio do exame de escrituras antigas. Ele defendeu a unidade de propósito entre as ciências e as humanidades.

O patrocínio de Oppenheimer apoiou e encorajou outros cientistas em suas pesquisas. Mas sua principal preocupação era a inevitável corrida armamentista. Ele defendeu o estabelecimento de um órgão internacional que controlaria o desenvolvimento da energia nuclear e seu uso.

Em 1947, uma agência civil chamada Comissão de Energia Atômica iniciou seu trabalho. Oppenheimer fez um forte apelo ao controle internacional de armas.

O primeiro teste de bomba atômica da União Soviética, em agosto de 1949, pegou os EUA de surpresa e levou os pesquisadores norte-americanos a desenvolver uma bomba de hidrogênio. O governo dos EUA endureceu sua posição. Em 1952, Truman recusou-se a renomear Oppenheimer como conselheiro da Comissão de Energia Atômica.

Depois de 1952, a defesa de Oppenheimer contra o primeiro teste da bomba de hidrogênio resultou na suspensão de sua autorização de segurança. A investigação que se seguiu em 1954 expôs os antigos laços comunistas de Oppenheimer e culminou com a revogação de sua autorização de segurança.

Macartismo e liberdade acadêmica

Na era da caça às bruxas de Joseph McCarthy, seus colegas cientistas consideravam Oppenheimer um mártir da causa da liberdade acadêmica. “Na Inglaterra”, comentou Wernher von Braun, um ex-nazista que se tornou pioneiro americano da tecnologia de foguetes, “Oppenheimer teria sido condecorado”.

Depois de 1954, Oppenheimer não parou de defender a liberdade na busca do conhecimento. Ele viajou internacionalmente com palestras sobre o papel da liberdade acadêmica sem restrições por considerações políticas. Ele argumentou que as ciências e as humanidades não são empreendimentos humanos separados, mas interligados e inseparáveis.

O cientista morreu aos 62 anos em 18 de fevereiro de 1967.

*Darius von Guttner Sporzynski é historiador da Universidade Católica Australiana.



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