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Nem só de Marta vive a Seleção Brasileira Feminina de Futebol. Debinha chega para a Copa do Mundo na Austrália e Nova Zelândia como líder técnica da equipe e artilheira da “Era Pia Sundhage”.

A camisa 9 do Brasil foi a única jogadora do país listada na última eleição da FIFA das melhores do mundo, ficando em sexto lugar no ranking.

A liderança e responsabilidade que nas últimas seis edições do Mundial estiveram nos pés de Marta, hoje, é de Debinha, terceira maior artilheira da história do Brasil e considerada, por muitos, a sucessora da Rainha na Seleção.

Paixão pelo futebol

Débora Cristiane de Oliveira nasceu em Brazópolis, cidade a 450km de Belo Horizonte. A paixão pelo esporte começou cedo, entre 5 e 6 anos de idade, e foi influenciada pelo pai e tios da atleta. Debinha era companhia frequente e sempre estava com os familiares em partidas amadoras pelo interior de Minas Gerais.

Acordar nas madrugadas com as irmãs Katia e Rubiana para assistir jogos da Seleção Brasileira masculina na Copa do Mundo de 2002, além do clima nas ruas da cidade, também incentivaram a pequena Debinha a construir o sonho em viver do futebol.

Os primeiros chutes

O começo de Debinha não foi fácil e a menina que só queria se divertir teve que se impor desde cedo. Como jogava com os meninos nas ruas, praças e quadras de Brazópolis, a atleta sofreu com o bullying dos garotos pela forma que se destacava, e das meninas, pelas roupas esportivas que usava.

A mãe da jogadora, preocupada com a situação, impedia Debinha de ir sozinha jogar futebol. As irmãs e o pai tinham sempre que contornar a situação para ela continuar se destacando nas partidas da cidade.

Quando comecei a jogar com os meninos, minha mãe não gostava muito. Eu só ia jogar futebol se minhas irmãs fossem junto. Mas hoje ela é minha maior fã

Debinha, em entrevista à CBF TV

O desafio de sair de casa

Aos 15 anos, Debinha recebeu a proposta para fazer um teste no Saad São Caetano. A autorização para sair de casa no dia seguinte dependia de uma assinatura da mãe. E a situação não foi nada fácil. Afinal, Debinha é a filha caçula da família.

Fui no trabalho da minha mãe pedir para me deixar ir. Ela começou a chorar porque não sabia o que estava por vir, se eu conseguiria realizar meu sonho. Ver minha mãe chorando, e sair de casa, foi o maior desafio da minha carreira.

Debinha, em entrevista à CBF TV

Uma década atuando no exterior

Após um ano no Saad, Debinha se destacou e foi atuar no futebol da Coreia do Sul. Mas a saudade de casa fez a jogadora voltar ao Brasil.

Em 2013, quando atuava no Centro Olímpico, a atacante recebeu uma proposta para jogar na Noruega, pelo Avaldsnes. Foram três temporadas no futebol norueguês, onde Debinha se adaptou rapidamente e foi artilheira do time na temporada 2014, com 20 gols.

A atacante teve uma passagem de um ano na China e, desde 2017, atua na liga de futebol dos Estados Unidos, uma das mais poderosas do mundo.

Debinha com o troféu de MVP da final da NWSL em 2019
Debinha com o troféu de MVP da final da NWSL em 2019 / Foto: Brad Smith/ISI Photos/Getty Images

Pelo North Carolina Courage, Debinha permaneceu por seis temporadas, empilhando títulos e premiações. A atacante foi duas vezes campeã da liga nacional de futebol feminino (NWSL), eleita a melhor jogadora da Challenge Cup, em 2021, e ainda faturou o mesmo campeonato em 2022.

Debinha disputou 156 partidas e marcou 51 gols com a camisa do time da Carolina do Norte, se tornando uma das principais estrelas do campeonato que é referência no futebol feminino.

Em 2023, a jogadora assinou um contrato de dois anos com o Kansas City, completando uma década atuando no futebol internacional.

Carreira vitoriosa na Seleção

A caminhada de Debinha com a amarelinha começou na disputa da Copa do Mundo Sub-20, em 2010. Na competição realizada na Alemanha, o Brasil caiu ainda na primeira fase, mas a jogadora mostrou que ali seria o começo de uma grande caminhada com a camisa da Seleção, e marcou dois gols.

A primeira convocação e estreia na equipe principal aconteceu em 2011, com apenas 19 anos, nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, no México.

De lá para cá, foram 135 partidas com a camisa do Brasil e 58 gols. É a terceira maior artilheira da história da Seleção Brasileira Feminina, atrás apenas de Cristiane, com 96 gols, e da Rainha Marta, que anotou 115 gols.

Debinha conquistou dois títulos da Copa América, representou o país nas Olimpíadas do Rio em 2016 e de Tóquio em 2020. Será a segunda participação da jogadora em Copas do Mundo.

Sucesso fora dos campos

Com a fama alcançada dentro dos campos, inspirando jovens jogadoras em todo o mundo, Debinha se tornou uma das atletas mais procuradas para ações de marketing e divulgação da modalidade.

A jogadora possui contratos com diversas empresas de grande porte, em vários departamentos, alcançando um grande sucesso fora dos campos como garota-propaganda, algo que era inimaginável para jogadoras do futebol feminino há algumas décadas.

Substituta de Marta

O Brasil estreia na Copa do Mundo, nesta segunda-feira (24), contra o Panamá, em busca do primeiro título na história da competição. Debinha, aos 31 anos, chega a seu segundo mundial, talvez, como a principal líder técnica da Seleção Brasileira.

A treinadora Pia Sundhage já deixou claro que Marta, que vai disputar sua última Copa aos 37 anos, será utilizada conforme a necessidade dos jogos. A passagem de bastão para Debinha é inevitável.

No ciclo preparatório da Copa, nenhuma atleta teve um desempenho melhor que a camisa 9. Ela é a jogadora que mais balançou as redes na Era Pia Sundhage, com 29 gols em 49 partidas.

O desempenho acima da média nos últimos anos foi reconhecido pela Fifa. Debinha apareceu na lista de indicadas para o prêmio de melhor jogadora do mundo vencido pela espanhola Alexia Puttelas em fevereiro deste ano. A brasileira ficou em sexto lugar.

A experiente Debinha, uma das maiores esperanças do país na Austrália e Nova Zelândia, acredita que, após a preparação para o torneio, o Brasil está pronto para colocar a primeira estrela no peito.

Estou muito confiante. O diferencial desse grupo é a alegria. Acredito que se levarmos isso e a confiança para dentro de campo, dificilmente seremos batidas

Debinha, em entrevista à CBF TV





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